
Ana Castela desce escada durante gravação de DVD na Festa do Peão de Barretos
Érico Andrade/g1
Esqueça o mega show de popstar e substitua pela discrição, simplicidade e emoção das memórias afetivas da família. O “último ato” de Ana Castela como embaixadora da edição histórica dos 70 anos da Festa do Peão Barretos não teve o espetáculo de efeitos visuais e surpresas da apresentação épica do último sábado (23), mas foi igualmente impactante.
A boiadeira subiu ao palco do maior rodeio da América Latina nesta quinta-feira (28) para o segundo dos dois shows marcados para o palco principal da terra sagrada de Barretos, e emocionou a arena lotada ao trazer à tona suas emoções familiares e algumas de suas referências na música sertaneja na gravação da 2ª edição do DVD “Herança Boiadeira”.
O resultado? Uma ode aos clássicos com participações de ícones da velha guarda da música sertaneja. Uma despedida à altura de uma das maiores passagens de uma embaixadora em sete décadas de uma das festas mais importantes do Brasil. Em uma semana, Ana Castela andou de moto, curtiu em ranchos, foi ao camping, assistiu shows de camarote, e fez duas apresentações históricas.
Ana Castela canta músicas inéditas durante gravação de DVD na Festa do Peão de Barretos
Érico Andrade/g1
A gravação toda foi emocionante, mas dois momentos chamaram a atenção em especial. O primeiro foi quando no momento de “Hoje lembrei de você”, a primeira das três inéditas, Ana chamou os avós ao palco e cantou para eles a canção que os homenageia. Ao g1, a boiadeira já havia adiantado que eles seriam homenageados.
A emoção foi tanta que, por conta do choro e de ter “cantado pouco”, como ela mesmo definiu, teve de gravar a música duas vezes. O outro momento mais impactante foi durante a participação do cantor Sérgio Reis, que gravou com a cantora um dos maiores hinos da fé sertaneja, “Romaria”. Durante a canção, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi colocada no meio da arena. Em seguida, Ana fez uma oração de Pai Nosso.
DVD de emoção
O primeiro “Herança Boiadeira”, lançado por Ana no ano passado, deixou um recado claro: é um projeto com participações e releituras de sucessos sertanejos que foram importantes para a construção da personalidade da cantora. Tudo isso com um significado muito grande para ela e a família, como a introdução do DVD em Barretos adiantou.
“Herança para mim nunca foi sobre o que se tem, mas sobre o que se carrega no coração. Eu venho do interior, do cheiro da terra, da comida de vó. Independente de qualquer título, eu sempre vou ser a Ana Flávia. Me disseram que como embaixadora, eu teria um recado a deixar. E meu legado, não está no brilho. Está na simplicidade. Meu recado é fazer com o que a essência nunca se perca. E essa é minha herança”, disse a gravação da voz de Ana antes dela subir ao palco.
Antes de iniciar a gravação, Ana fez um aquecimento com “Minha Herança”, “Dona de mim”, e o sucesso que a revelou para o Brasil, “Boiadeira”.
“Boa noite, Barretão. Estou muito feliz da gente estar aqui gravando esse projeto tão especial para mim. Com tantas participações”, disse Ana antes de chamar ao palco a primeira das seis participações, Zezé di Camargo e Luciano, uma das maiores duplas da história da música sertaneja, e que sobem ao palco de Barretos após a apresentação de Ana.
“Que coisa linda, parabéns. De primeira, mas tem que ser de primeira uma pessoa tão linda como vocês, talentosa”, disse Luciano. “Boa sorte para você nesse novo projeto. A gente vai ali curtir, depois a gente volta. Até daqui a pouco”, completou Zezé di Camargo.
Em seguida, mais uma participação icônica e a junção de dois extremos da música sertaneja: a dupla sertaneja mais antiga em atividade no Brasil, Lourenço e Lourival, com o maior fenômeno atual do gênero, Ana Castela, de 21 anos. Os dois irmãos oitentões gravaram com a boiadeira o maior sucesso, “Franguinho na panela”, e se divertiram com a oportunidade.
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“Você é muito querida por nós. Isso é coisa de Deus”, afirmou Lourival. “Dois senhores cantando com uma gatona dessa. Você é um anjo. Que Deus te abençoe”, falou Lourenço.
O show transcorreu com uma participação atrás da outra e a seguinte foi a “rainha dos caminhoneiros”, Sula Miranda, para “Rédeas do Possante”
“Ano que vem eu completo 40 anos de carreira e é a primeira vez que eu piso no palco do Barretão pelas mãos de Ana Castela. Você é uma princesa e tem tudo para ter mais de 40 anos de carreira como eu”, desabafou Sula Miranda.
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Érico Andrade/g1
Choro de Roberta Miranda
Na sequência, foi outro momento de emoção na vez de Roberta Miranda, que foi uma das responsáveis para que existissem “Marílias Mendonças” e “Anas Castelas”. Ou seja, ela ajudou a abrir o caminho para que mulheres fossem protagonistas na música sertaneja.
Ao lado de Ana, cantou “Vai com Deus” e foi a responsável por segurar a arena enquanto a boiadeira trocava de roupa. Para isso, exibiu seu maior clássico, “A majestade, o sabiá” e caiu no choro.
“Obrigado, Ana, pela oportunidade maravilhosa. O seu sonho é o meu. Você é merecedora, mas eu me vejo em você. O seu sucesso, meu amor, merece todos os aplausos do mundo”, disse Roberta.
Depois das outras duas inéditas e da participação de Sérgio Reis, foi a vez de Teodoro e Sampaio cantar com a boiadeira em “Se a casa cair”, que tem o refrão “Se a casa cair, deixa que caia, hoje eu vou amanhecer na gandaia”, e Ana brincou: “Reza um pai nosso e depois canta essa música”.
O término do show foi com o hit que está muito perto de se tornar o maior da carreira de Ana até agora: “Olha onde eu tô”, que abre o novo álbum country da cantora, “Let’s go Rodeo”.
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