Investigação revela que PCC usava o metanol para adulterar a gasolina e o etanol vendidos em postos pelo país


Desde o fim da década de1970, os brasileiros se habituaram ao uso do etanol como combustível. Em meio século de história, o álcool alimentou uma cadeia enorme de empregos e de empresas. E esse mercado gigantesco despertou a cobiça do crime organizado – que se infiltrou em todas as etapas da cadeia de produção, inclusive com adulteração da qualidade do produto.
O esquema descoberto pela investigação começava com a importação, via Porto de Paranaguá, no Paraná, de dois produtos estratégicos: a nafta, um derivado do petróleo, e o metanol, um composto químico usado em tintas e plásticos.
Oficialmente, essa importação tinha como destino a indústria química e os fabricantes de biocombustíveis. Mas, na prática, os carregamentos eram usados para batizar gasolina e etanol – o que é ilegal.
Fiscais da Agência Nacional do Petróleo fotografaram, em junho deste ano, um caminhão-tanque carregado de metanol.
O caminhão ficou três dias estacionado na zona leste de São Paulo. Pouco antes de voltar a circular, a placa que identificava o carregamento de metanol foi substituída por outra, usada no transporte de etanol – o álcool vendido nos postos de combustíveis.
Só naquela noite, segundo a ANP, o caminhão descarregou o produto em quatro postos de combustíveis de São Paulo. Os investigadores afirmam que o flagrante exemplifica como o grupo criminoso usava o metanol para adulterar a gasolina e o etanol vendidos em postos pelo país.
O prejuízo para o consumidor é imediato: além de pagar por um produto e levar outro, o metanol ainda danifica o motor do carro.
“Metanol é um solvente químico extremamente tóxico, extremamente perigoso, que tem restrição na ANP para conter apenas meio por cento em combustíveis. Por exemplo, na gasolina. Não obstante, fiscalizações do Estado de São Paulo apontam alguns postos com até 90% de metanol. O que é extremamente arriscado é para as pessoas, para os veículos e para o meio ambiente”, diz o promotor de Justiça, Yuri Fisberg.
A Receita Federal identificou cerca de 1.200 postos de combustíveis vinculados ao grupo, de bandeira própria e de bandeira branca, que movimentaram mais de R$ 54 bilhões. Mas só pagaram R$ 90 milhões de impostos – um indício claro de sonegação.
Segundo a força-tarefa, o combustível era vendido pelo grupo Aster e Copape, e transportado por caminhões da G8 Log.
Apesar de ser do ramo de transportes, os investigadores afirmam que a G8 Log não tem nenhum caminhão registrado no nome dela e usa empresas em nome de laranjas.
Ainda segundo a força-tarefa, a frota a serviço desse grupo é de mais de mil caminhões. Quem se apresenta como dono da G8 Log é Mohamad Hussein Mourad. Há mais de dez anos, investigações do Ministério Público de São Paulo colocam o empresário como chefe do esquema de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis.
Ainda segundo a força-tarefa, a frota a serviço desse grupo é de mais de mil caminhões. Quem se apresenta como dono da G8 Log é Mohamad Hussein Mourad.
Jornal Nacional
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