
Fazendas de canaviais, usinas produtoras, distribuidores de combustível: como o crime organizado se infiltrou no mercado do etanol
Reprodução/TV Globo
O crime organizado se apoderou de propriedades em cada etapa do setor do etanol: fazendas produtoras de cana-de-açúcar, usinas fabricantes de álcool, distribuidores de combustível. Em muitos casos, as compras foram mediante ameaças e a preços menores do que os valores reais.
O PCC se aproveitou da crise das usinas de etanol, no interior de São Paulo, na década passada, para se infiltrar nesse mercado. Segundo a PF, o PCC usou laranjas para colocar dinheiro nessas empresas. Mas, o Jornal Nacional apurou que no setor de cana e açúcar têm sido comuns os relatos de que a facção ameaça os proprietários para que vendam usinas e terras.
Em 2024, a polícia prendeu seis suspeitos de iniciar incêndios criminosos em plantações de cana. A força-tarefa afirma que a facção comprou, por meio de fundos de investimento ou de laranjas, pelo menos cinco usinas, entre elas gigantes do setor. Mas que o verdadeiro beneficiário era Mohamad Hussein Mourad.
Mohamed e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, são apontados como os chefes da organização criminosa que dominou parte da cadeia de produção de combustíveis.
A força-tarefa afirma que o grupo também coagiu os donos para que vendessem postos de combustíveis, que eles não receberam os valores da negociação e ainda foram ameaçados de morte se fizessem qualquer tipo de cobrança.
Segundo a PF, Mohamad Hussein Mourad também a controladores de um dos terminais no porto de Paranaguá, no Paraná.
A Receita Federal identificou que o grupo adquiriu vários bens de luxo ao longo dos últimos anos, como seis fazendas no interior de São Paulo – avaliadas em R$ 31 milhões – e uma casa em Trancoso, na Bahia, comprada por R$ 13 milhões.
“É claro que a gente precisa prender essas pessoas. É óbvio que a gente tem que estar em portos, aeroportos, fronteiras, apreendendo drogas, mas o que realmente vai nos fazer é atingir o coração desse sistema criminoso, é o sufocamento financeiro. Portanto, a importância da gente trabalhar no rastreamento do esquema financeiro de todo esse grupo organizado”, disse Márcia Cecília Meng, superintendente da Receita Federal em São Paulo.