
Ana Castela, em entrevista exclusiva ao g1 em Barretos
Érico Andrade/g1
A tranquilidade e o alto astral com que interage com as pessoas, cantarola canções e senta para um bate-papo descontraído no meio da tarde não negam: ali está alguém que passa por um bom momento. A descrição poderia ser relacionada a qualquer jovem de 21 anos, mas não é. As músicas cantaroladas são dela. A serenidade contraria a atmosfera de popstar a qual ela vive. A pessoa em questão é Ana Flávia Castela.
A ascensão desde quando estourou o primeiro sucesso em 2021 elevou a cantora criada em Sete Quedas (MS) ao status de estrela rápido, com hits meteóricos e uma base de fãs de adultos e crianças com engajamento poucas vezes visto na história recente da música brasileira.
Mas tudo isso ainda tinha um ápice a ser atingido: a junção do bom momento dos lançamentos atuais com um título que mudou a vida dela: embaixadora da edição de 70 anos do maior rodeio da América Latina.
📱 Siga o g1 Ribeirão Preto e Franca no Instagram
Ana Castela foi o fenômeno da Festa do Peão de Barretos. O status de uma das maiores popstars do Brasil atualmente foi elevado a níveis ainda mais altos no templo da música sertaneja. Todos os olhares estavam nela. Todas as pessoas procuraram ela.
E isso tudo durante os sete dias que a artista respirou o Parque do Peão, especialmente na histórica apresentação realizada no sábado (23), o primeiro dos dois shows da cantora no evento, transmitido ao vivo pela TV Globo.
Em meio a todos os compromissos, a loucura de ser a grande estrela de uma das maiores festas de peão do mundo e a gravação do DVD “Herança Boiadeira” em Barretos, Ana Castela parou para receber o g1 para uma conversa exclusiva no meio de uma tarde no rancho da Agroplay, escritório da cantora.
Durante o longo e descontraído bate-papo, a boiadeira falou do que viveu em Barretos, sonhos, o novo projeto para crianças – e os comentários que às vezes recebe por não fazer conteúdos que sejam só para os pequenos.
Também falou da pressão de ter todos os olhares voltados para ela e como lida com a quantidade de críticas e falação que saem na internet em relação ao seu trabalho e vida pessoal. Leia abaixo e assista, em cortes de vídeos, separados por assuntos.
Minha mãe falou uma coisa pra mim, e desde que minha mãe falou isso minha cabeça mudou: meu, a gente não tem problema. É um problema ali [sinal de aspas], porque na internet tão inventando coisas da gente, e tem gente desocupada que fica comentando. Tá bom, deixa falar. Tô aqui vivendo minha vida, tô aqui ganhando meu dinheiro, tô aqui doando meu cachê, Tô aqui sendo feliz. Tô aqui com meus amigos, com a minha família, minha família me ama. Ninguém da minha família está doente. Eu tenho minha casa, eu tenho comida, então eu não tenho do que reclamar.
Terapia
Ana Castela fala sobre pressão do sucesso e falatório da internet
A entrevista com a cantora foi em meio a uma série de compromissos. Entre eles, o anúncio de que doou todo o cachê da Festa do Peão de Barretos para o Hospital de Amor na cidade, referência na América Latina em tratamento oncológico.
Dias antes, ela também já tinha inaugurado uma brinquetodeca na unidade médica que foi toda custeada por ela. Com a vida andando de forma frenética, Ana conheceu rápido o ônus da fama, como ter todos os radares ligados em direção a ela. Atualmente, a artista diz que lida melhor com tudo isso, mas ainda sente necessidade de recorrer à terapia.
“Eu devia fazer terapia. É uma coisa que eu não faço, mas eu preciso, meio que urgente, fazer. Eu tento, aí a gente para, mas eu acho que todo mundo no começo da terapia é assim, né? Começa e para até pegar a engrenagem e dar certo. Bom, mas eu fico muito com a minha família, minha família conversa muito comigo, me deixa muito, assim, pé no chão. Fico também com os meus amigos das antigas. Vou para Sete Quedas. Quando eu vou para Sete Quedas, eu volto outra pessoa. Vou lá, fico com a minha avó, com o meu avô. Eu volto, assim, outra pessoa, gente, aí volto feliz, com a energia renovada. Mas eu acho que eu estou lidando bem. Tem umas coisinhas que eu não lido, mas a gente vai aprendendo, né?”, revelou.
LEIA MAIS
Em ato final, Ana Castela chora com os avós no palco e reúne ‘velha guarda’ em DVD
Embaixadora, Ana Castela surge no meio do povo, faz show de drones e fogos, e encanta arena em noite histórica nos 70 anos de Barretos
Ana Castela surpreende crianças no Hospital de Amor em Barretos na inauguração de brinquedoteca
Ana Castela faz avant-première do desenho animado ‘Turma da Boiadeirinha’ para seletos miniconvidados
Toda essa pressão, às vezes, acontece de transbordar, como aconteceu em um show em Minas Gerais, quando ela chorou e desabafou no palco.
“Naquele show que eu chorei, eu estava realmente numa pressão danada. Estava rolando isso faz um tempo. E aí, chegou uma hora que eu não aguentei. Minha equipe toda fez uma surpresa pra mim, então, meio que eu descarreguei ali em cima do palco mesmo. Mas, bom, eu já estou bem melhor. Na verdade, estou 100%. Tá saindo várias coisas também na internet, mas eu vou fazendo minhas coisas”, contou a cantora.
‘Realizei todos os sonhos de agora, no futuro quero casar’
Ana Castela fala de sonhos e próximos projetos
A jovem cheia de sonhos nascida em Amambaí (MS) conseguiu realizar todos que queria até agora ao conquistar o sucesso extremo na música, mesmo com apenas 21 anos. Dona da própria fazenda, o que ela almeja é, num futuro ainda distante, poder casar, ter filhos e morar com a família em uma propriedade com os cavalos que ela gosta de criar.
“É um sonho bem distante ainda, porque eu já realizei todos os meus de agora, já realizei todos, minha família está bem, está feliz, agora eu vou ter minha casinha, então eu estou super bem, super feliz, mas esse é o meu sonho agora né? Um dia casar, poder ter meus filhos, minha família bonita e morar ali no meu cantinho”, disse Ana.
‘Têm que entender que eu tenho 21 anos’
Ana Castela fala sobre projetos para crianças e críticas que recebe
Outro compromisso de Ana foi uma avant-première do desenho animado “Turma da Boiadeirinha”, que será lançado em 26 de setembro no Youtube. O lançamento atende a um nicho que tornou a cantora uma espécie de Xuxa da nova geração: a paixão das crianças.
Entretanto, o segmento dentro da música sertaneja do qual Ana vem, o agro, mistura o gênero com outros estilos, como o funk, e apresenta letras maduras – além do romantismo que ela também defende em canções como “Fronteira”, “Solteiro Forçado” e “Nosso Quadro”, e as faixas do novo álbum country, “Let’s Go Rodeo”, que já gerou o fenômeno “Olha onde eu tô”.
As produções já acarretaram críticas e comentários sobre o conteúdo não ser necessariamente para crianças. A solução de Ana, então, para manter a atenção aos minifãs, foi lançar conteúdo exclusivo para eles. Com isso, surgiu a “Turma da Boiadeirinha”.
“Criam isso e tem pessoas que acreditam, mas eu sempre olho para as crianças. Só que também tem pessoas que têm que entender que eu tenho 21 anos, e eu tendo só a crescer, entendeu? Um dia eu vou virar adulta, e eu não posso sempre ficar na criança. Eu tomo muito cuidado em questão das minhas roupas, em questão do meu palavreado, só que de vez em quando vai sair um palavrão, porque eu tenho 21 anos, de vez em quando, eu vou postar uma foto de biquíni ali no meu Instagram, porque eu tenho 21 anos. As crianças são maravilhosas. A gente tá fazendo desenho, elas tão gostando, as músicas também tão legais, então assim, a gente tá com muitos projetos muito legais para a criançada. E quem fala que eu não gosto de criança tá mentindo, gente, que a minha irmã é criança, como é que eu não vou gostar dela?”, explicou.
O desenho animado da “Turma da Boiadeirinha” é direcionado para crianças de três a seis anos e destaca a importância da educação e do respeito à família. A equipe de Ana contou com o auxílio de uma professora para produzir os conteúdos educativos.
“A gente fez esse desenho da Boiadeirinha totalmente educativo para a criançada aprender contar até 10, aprender a falar ‘a,e,i,o,u’, e esse desenho passou também por uma professora, passou por muitas pessoas até ele ser finalizado e deu super certo e a gente agora lançou também esse álbum, né, do Let’s Go Rodeo, eu quis melhorar muito em questão da letra, em questão da batida, e eu quero continuar com isso, entendeu, estou tomando muito cuidado com as letras, com as batidas, principalmente por conta das crianças, né, também”, completou.
‘Fico pensando se eles estão gostando’
Ana Castela comenta experiência de ter sido embaixadora de Barretos
Embaixadora, Ana Castela viveu Barretos por sete dias seguidos. Além de ver de perto a idolatria de todos os fãs, a boiadeira andou de moto pelo Parque do Peão, foi ao camping, assistiu vários shows de camarote, curtiu com amigos em ranchos privados, e entrou na arena de rodeios segurando a bandeira do Brasil.
Enquanto vivia uma semana mágica, a preocupação dela foi se as pessoas e o Clube dos Independentes, dono do evento, estavam gostando de como ela defendeu o posto.
“Quando eu deito na cama, a minha primeira pergunta para mim mesma é: será que o pessoal de lá está gostando? Juro pra você. Porque eu estou querendo viver Barretos. Eu estou querendo realmente ser a embaixadora do Barretão. E eu fico preocupada: meu Deus, será que eles estão gostando? Será que eles não estão? Eu quero saber, gente. Ninguém me fala nada. Mas, nossa, eu fico muito, muito feliz mesmo de tudo que eu estou podendo viver aqui. Está dando tudo tão certo, que a gente fica até meio preocupado”, finalizou.
Ana Castela, em entrevista exclusiva ao g1
Érico Andrade/g1
VÍDEOS: Barretão 2025