Mulher realiza o sonho de ser mãe após enfrentar câncer em RO: ‘Foram dez anos tentando engravidar’


Mulher realiza sonho de ser mãe após câncer em RO
Bruna Prado, de 31 anos, realizou o maior sonho da vida logo depois de enfrentar a maior batalha: após meses em tratamento contra um câncer, descobriu que estava grávida. Ela considera a gestação um milagre, já que tentou engravidar por quase dez anos e, segundo os médicos, as chances seriam ainda menores após as sessões de quimioterapia.
“Ser mãe sempre foi o meu maior sonho. Não havia nada que eu desejasse mais do que isso. Após a cura do câncer, recebi do médico o alerta sobre a possibilidade de infertilidade, mas isso não me abalou, eu tinha certeza que no momento certo tudo ia fluir”, relembra.
O que Bruna não sabia é que, no mesmo dia em que o médico mencionou a possibilidade de infertilidade, ela já estava grávida. O bebê, que o casal carinhosamente chama de “Baby Limãozinho”, é, para eles, o maior presente que poderiam receber.
E o casal decidiu usar uma data especial para contar para a família. No Dia dos Pais ela entregou uma embalagem de presente ao próprio pai. Dentro do pacote, havia um sapatinho de bebê anunciando que ele seria avô.
A reação da família foi emocionante: a mãe gritou de alegria, a avó se emocionou às lágrimas, e o pai, tão feliz, ficou sem reação, apenas sorrindo. O vídeo publicado nas redes sociais rendeu milhares de visualizações. (Assista ao vídeo acima)
“Sempre soube que queria compartilhar essa alegria de um jeito especial com meu pai e minha família, porque eles choraram comigo em todo processo do câncer. Eles ficaram emocionados, era um sonho muito esperado por todos, viver esse momento juntos foi inesquecível”, comenta Bruna.
Intertítulo
Os sintomas que levaram Bruna a desconfiar que algo estava errado foram um caroço no pescoço e uma tosse seca que durou cerca de um mês. Após diversas consultas e exames, ela recebeu o diagnóstico de linfoma de Hodgkin Esclerose Nodular (LHEN), um tipo de câncer que atinge o sistema linfático.
“Procurei médicos, passei por seis profissionais e realizei vários exames, mas nenhum soube dar uma resposta clara. Foi necessário realizar uma cirurgia para retirada de um dos caroços e duas biópsias até chegar ao diagnóstico definitivo”, conta.
A artesã começou o tratamento no Hospital do Amor exatamente um ano após os primeiros sintomas. Ao todo, foram 12 sessões de quimioterapia, a última em março deste ano. No caminho, ela conta que a fé e o apoio da família se tornaram o alicerce.
“Minha família foi meu porto seguro. Estiveram comigo em cada consulta, em cada sessão de quimioterapia e nas orações sem cessar. Eles me lembravam todos os dias que eu não estava sozinha e que Deus estava conduzindo tudo”, comenta.
Após cinco meses de tratamento, Bruna recebeu a notícia mais esperada: a remissão completa. O momento foi marcado por emoção e alívio.
“Foi como tirar um peso dos ombros e respirar fundo de novo. Meu coração se encheu de esperança e naquele momento percebi que o inverno tinha terminado”, relembra.
Nas redes sociais, ela compartilha a própria história e acredita que cada capítulo de sua trajetória, marcada por fé, recomeços e esperança, pode inspirar outras pessoas.
O que é o Linfoma de Hodgkin Esclerose Nodular (LHEN)?
Com base no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, o Linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer que atinge o sistema de defesa do corpo, conhecido como sistema linfático. A doença se caracteriza pela multiplicação descontrolada de células anormais chamadas de Reed-Sternberg.
Esse tipo de câncer corresponde a aproximadamente 10% de todos os linfomas. O sinal mais comum é o surgimento de um ou mais gânglios aumentados (ínguas), geralmente sem dor, que aparecem com mais frequência na região do pescoço. Em cerca de 40% dos casos, podem ocorrer febre superior a 38°C, suores noturnos intensos e perda de peso.
Para confirmar a doença, o diagnóstico padrão é a biópsia, que consiste na retirada completa de um linfonodo suspeito para análise laboratorial.
O tratamento, que pode envolver quimioterapia e radioterapia, evoluiu muito nas últimas décadas, tornando o Linfoma de Hodgkin uma doença curável em cerca de 75% dos pacientes em todo o mundo. A escolha da terapia ideal depende do estágio da doença e das condições de cada paciente.
A médica hematologista Maristefany Cury explica que, embora a gravidez de Bruna não seja um caso raro, todo tratamento quimioterápico pode comprometer a fertilidade.
“Todas as quimioterapias podem causar infertilidade, mas depende da idade da paciente, comorbidades prévias, como endometriose, reserva ovariana quando iniciou o tratamento”, explica a médica.
Bruna Prado
Reprodução Redes Sociais
Bruna Prado
Reprodução Redes Sociais
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