‘Nunca foi pai, foi genitor’: familiares relatam frieza de advogado preso após enviar vídeo íntimo para a filha


Viatura da Polícia Civil de Pernambuco
Reprodução
Dois parentes da adolescente de 16 anos, vítima de agressão cometida pelo pai, um advogado de 34 anos em Inajá, no Sertão de Pernambuco, revelaram que o homem nunca demonstrou afeto ou carinho pela filha desde a gravidez. A declaração foi dada em entrevista ao g1 na sexta-feira (29).
O nome dos entrevistados será mantido em sigilo para resguardar a identidade da vítima.
Segundo um dos familiares, desde a gravidez o advogado manteve uma postura de frieza e chegou a levantar questionamentos sobre a paternidade da criança. Quando a vítima nasceu, os pais já estavam separados, e o homem pediu um exame de DNA para confirmar a paternidade.
Durante uma visita dos avós paternos, ainda quando a menina era bebê, o pai do advogado afirmou que a criança “tinha a cara” do filho, em referência à semelhança física. A partir daí, o advogado a reconheceu como filha perante a Justiça. O afeto e a relação de pai com a filha, no entanto, nunca existiram, relatou um parente.
Por determinação judicial, o advogado pagava pensão no valor de R$ 200 e custeava algumas necessidades da adolescente, como sapatos e outros itens de uso pessoal.
Em relação ao convívio, os familiares relataram que o pai não tinha aproximação com a filha. “Na verdade, ele nunca foi um pai. Ele sempre foi apenas o genitor dela”, disse uma das parentes.
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Aproximação entre pai e filha
Antes de morrer vítima de câncer, quando a menina tinha 2 anos, a mãe da adolescente pediu aos parentes que a criança não fosse criada pela família paterna.
“A questão da pensão […] foi preciso entrar na Justiça. Ele começou a pagar à menina o valor de R$ 200. […] [Ele estava] trabalhando em algumas prefeituras, pegando algumas causas, por que não poderia pagar um pouco mais?”, relataram os familiares.
Segundo os parentes, o contato entre pai e filha era raro. A aproximação para conversas mais diretas aconteceu no dia 10 de agosto, quando a adolescente publicou uma foto nas redes sociais ao lado do homem, parabenizando-o pela data. Após ver a postagem, o advogado iniciou conversas pelo WhatsApp com a jovem.
O motivo da publicação, ainda de acordo com os familiares, foi porque a adolescente observou outras amigas homenageando os pais e sentiu falta de ter a figura paterna mais próxima.
Entre o domingo de Dia dos Pais (10) e a sexta-feira (15), as mensagens trocadas entre os dois eram sobre assuntos do dia a dia. Em um dos prints aos quais o g1 teve acesso, a adolescente pergunta ao pai se a avó paterna estava bem (veja abaixo).
Adolescente pergunta ao pai sobre a avó
Reprodução
A partir da tarde do sábado (16), o advogado iniciou as conversas com cunhos sexuais e mensagens de duplo sentido.
Liberado em audiência de custódia e preso novamente
Após a denúncia formalizada pela tia que convive diariamente com a adolescente, no mesmo dia das conversas, o advogado foi preso e apresentado em audiência de custódia no domingo (17). Após a sessão, ele foi liberado e deveria cumprir medidas cautelares previstas na Lei Maria da Penha.
Na noite da quinta-feira (28), porém, 11 dias após ter sido solto, o homem foi novamente preso. De acordo com os investigadores, o advogado descumpriu as medidas cautelares impostas pela Justiça.
Ao g1 Caruaru, os investigadores confirmaram que o advogado não colocou a tornozeleira eletrônica dentro do prazo estabelecido e foi flagrado em um bar consumindo bebida alcoólica. O delegado responsável pelas investigações comunicou o descumprimento ao juiz do caso
Diante da situação, a Justiça decretou a prisão preventiva do advogado, que foi levado para a Delegacia de Polícia Civil de Floresta, também no Sertão de Pernambuco. A audiência de custódia foi realizada nesta sexta-feira (29), mas o resultado não havia sido divulgado até a última atualização desta reportagem.
Conversas nas redes sociais
Os prints da conversa mostram que, nas mensagens, o homem admite ter enviado algo por engano e, em seguida, pergunta: “Chegou a ver, não? Quer ver?”. Logo depois, ele reenvia o conteúdo e pede que a adolescente veja sozinha e não mostre a ninguém.
Prints mostram suposta mensagens enviadas pelo pai para filha adolescente
Reprodução
Os prints das conversas entre o advogado e a filha de 16 anos foram anexados ao inquérito policial. Em um dos trechos, o homem pergunta se a adolescente está sozinha e se a avó dela lê as mensagens.
Em outro momento, ele questiona se a jovem “pode ver uma coisa” e, em seguida, sugere que ela poderia não gostar porque “é safado”. Após a recusa da adolescente, o advogado insiste e chega a perguntar se ela consome bebida alcoólica. Depois, ele envia um vídeo, apaga a mensagem em seguida e afirma que o envio foi um engano.
No depoimento à polícia, o advogado alegou que, no momento da troca de mensagens, também conversava com outra mulher e que, por isso, teria encaminhado por engano à filha conteúdos de teor sexual que seriam destinados a essa outra pessoa.
Durante o depoimento à polícia, o advogado também afirmou que o celular havia sido clonado, mas não apresentou comprovação da clonagem, sugerindo que o problema já teria sido desfeito. Até o momento, o resultado da perícia no aparelho não foi divulgado pelas autoridades.
Advogado é preso após enviar vídeo íntimo para a filha na cidade de Inajá
Mapa de Inajá
Arte/g1
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